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domingo, maio 23, 2004

O Teste das Favas

Está certo. Eu sei que é fácil falar à posteriori, depois do facto ou do acto consumado. Mas porra, o tempo tem-me faltado e um gajo por muito que tente e sue não chega a todo o lado. E também, diga-se em abono da verdade, se tivesse escrito ontem, antes do casório, duvido mesmo assim que tivesse valido de alguma coisa.

De maneira que aceito a realidade, aceito a minha incapacidade em mudá-la e aceito que a Letícia seja hoje Princesa das Astúrias. Até porque eles já são grandes e o problema não é meu...

O pior é que simpatizo com o Filipe que me parece um Bourbon porreiro. O pai também não é mau rapaz. Chorou no casamento das filhas, de maneira que tem o meu voto de confiança. Na verdade, e que isto fique entre nós, desconfio que no casamento da mais velha, sim da Helena, a Infanta feiosa, o choro foi mais de alívio por ter arranjado um tipo que casasse com ela. Mesmo sendo com quem foi, e, convenhamos, não foi com grande coisa. Porra, viram a gravata dele ontem ? Verde alface ? Abstenho-me de fazer o trocadilho que se imporia com o casaco de asa de grilo porque é muito óbvio e não gosto de coisas fáceis. O pudor impede-me, também, de fazer referência ao colete cor-de-rosa. Mas enfim, casou com a miúda e por isso algum mérito temos de lhe reconhecer.

Agora tivesse eu podido, teria sem dúvida aconselhado o Filipe a recorrer ao teste das favas. Não que eu tenha muitas dúvidas em relação à Letícia, porque aquele perfil (o do rosto) não augura grande coisa. Mas por uma questão de tira teimas. Não sou muito de me enganar, e, passe a imodéstia, costumo acertar na avaliação que faço das pessoas só de olhar para elas. Simpatizo ou não simpatizo. E se não simpatizo é porque há ali coisa. E a Letícia tem coisa.

Aliás, penso que todas pensamos que a Letícia tem coisa. O que sucede é que alguns não o querem admitir. Ou com receio das represálias, ou porque confiam no bom senso da Casa Real Espanhola que supostamente terá realizado todas as investigações e todos os testes possíveis. Pois, mas faltou-lhes o teste das favas, e sem o teste das favas.....

Foi pena, porque nem sempre é possível aplicar o teste. Por carência delas, das favas. Quando se está fora da época e não é possível esperar um ano inteiro por uma nova colheita, condescendo e aceito que se corra o risco. O de se casar sem o teste das favas. Agora em plena época faval, com favas abundantes e tenrinhas, nada justifica que não se tenha lançado mão do teste!

O melhor é serem guisadas, com chouriço, negrito, entremeada e entrecosto. O ovo escalfado não é condição fundamental. Mas em caso de inépcia culinária podem optar por cozer as ditas, e temperá-las com azeite, alho picado e coentros, à moda dos meus amigos além Tejo. Se bem que lá se comam assim por opção gustativa e não por necessidade.

Com as favas prontas, arranja-se maneira de atrair a cachopa à cozinha e fica-se à espera. Se ela se precipitar para a mesa, perguntar pelo tinto ( também se aceita, estando muito calor, que pergunte pelo João Pires ou qualquer branco seco fresco), e se lançar às favas, é porque é indubitavelmente boa rapariga e merece a nossa confiança. E se assim é, que case lá então com o rapaz e sejam felizes. Nunca, até hoje, ouvi falar de uma miúda que, gostando de favas e de todo o rito que o petisco envolve, não fosse simultaneamente simpática, amiga e boa companhia.

Coentros e rabanetes não vão à mesa do rei... e pelo que vimos as favas também não. Oxalá eles não se arrependam.

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