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domingo, dezembro 21, 2003

Conto Natalício I - A Paixão do Pedro


Bolas. O Pedro adorava bolas. Tinha 11 anos. Era natural gostar de bolas. Até os meninos da rua gostam de bolas.

Um dia, Pedro passou a ter dinheiro para bolas. Mas comprou cigarros e roupa de marca.

Um dia, Pedro decidiu contar donde lhe vinha o dinheiro.

Ainda vai preso o Pedro, acusado de desencaminhar homens.




Conto Natalício II - E as Renas?


Há uns meses atrás, o Pai Natal desapareceu.

Foram os americanos, cerca de seiscentos, que deram com ele.

Reconheci-o pelas barbas. Os americanos pelos dentes.

Guardava uma mala com o dinheiro com que iria comprar os presentes.





Conto Natalício III – Lovely Rita Meter Maid


Estacionava lá de propósito. Só para a ver. Só para ouvir a sua voz naqueles breves momentos em que lhe pedia troco para o parquímetro.

Sentava-me, depois, no café do outro lado da rua e ficava a olha-la discretamente por cima do jornal.

Um dia distraí-me com as horas e multou-me. Faltavam 3 dias para o Natal. Nunca mais a pude ver, a bruxa da mulher.




Conto Natalício IV – Noite de Paz


A quem é que queremos enganar?



Conto Natalício V – Rudolph, the Red Nose Rain Deer



Rodolfo era uma rena. Gozavam com ele por causa do nariz vermelho, brilhante e abatatado. Era óbvio que bebia.

Um dia, numa véspera de Natal, o Pai Natal chamou o Rodolfo. Para o ajudar? Para o aconselhar? Não. Estava um nevoeiro cerrado e decidira usá-lo para iluminar o caminho.

Isto não se faz. Nem a uma rena.


Nota 1 – Começo a desconfiar se a mala com o dinheiro seria mesmo para comprar prendas.

Nota 2 - A bruxa da Rita ainda tentou multar o Rodolfo por voar sob o efeito do álcool, mas estava fora da sua jurisdição. A o que se passava no jardim, nunca ligou.

Nota 3 - Na viagem o Rodolfo conheceu o Pedro, e ficaram amigos. E conheceram mais Pais Natais.

Nota 4 – Com o dinheiro o Rodolfo fez uma plástica. Nunca deixou o álcool e nunca foi feliz .

Nota 5 – O Pedro sempre foi preso.

Nota 6 – O Pai Natal ficou com a bola. Como chamariz. Para os meninos que se portam bem. E que não falam.



quinta-feira, dezembro 18, 2003

PERDIDAMENTE (remix não autorizado) *


Há coisas de que gostamos. Umas mais. Outras menos. Outras perdidamente.

Há pessoas a quem amamos. Umas mais. Outras menos. Outras perdidamente.

Há causas que abraçamos. Umas mais. Outras menos. Outras perdidamente.

Há bancos a quem devemos. A uns mais. A outros menos. A outros perdidamente...

A ti Carlos, devemos a imobilidade do cão morto na estrada e o desfolhamento da arvore de folhas camaleónicas. Antes te devêssemos dinheiro, pá.

* Incursão intrépida no mundo da poesia em homenagem ao poeta laureado Carlos Silva.


quarta-feira, dezembro 03, 2003

Let it Play. Por Favor.


Ontem, ao fim do dia, fui todo lampeiro comprar o Let It Be...Naked dos Beatles. Tinha a versão de todos conhecida, em vinil, e achei que a reedição «naked» era um bom e justo pretexto para comprar o disco em formato compacto. Eu, que ando há anos para comprar o Álbum Branco em versão digital, desistindo sempre no ultimo momento por não ter um pretexto suficientemente forte para largar os cerca de 35 euros.

Não. Não sou forreta, nem poupado por aí além. Acho apenas que é anti-económico comprar o mesmo álbum duas vezes. É que, levado ao extremo, eu teria de comprar o álbum também em cassete, em mini Disc, em DVD, em vídeo CD e em Mp3, para não falar já das descontinuadas versões em LP (a que possuo) e em cartucho. Pelo menos o Gasolim lembrar-se-à dos cartuchos. Eu pelo menos, lembro-me bem de ouvir o Don’t Let Me Down no leitor de cartuchos do Mini cooper beije, do meu primo bancário, quando ele me dava boleia para o Externato. Fazia um figurão ele. Nessa altura, ouvia-se o conjunto Maria Albertina, o Fernando Farinha e pouco mais.

Mas deixemos os anos setenta... que o problema é deste século e deste ano. Pois bem, o CD não toca. Quer-se dizer, tocar toca, mas não toca onde eu queria que tocasse, nomeadamente no leitor do carro.

Só então me apercebi de um pequeno autocolante transparente, quase invisível, que dizia «copy controlled, see reverse for details», que é como quem diz, compra lá o Cd ó parvalhão e não repares neste autocolante, nem nas letras microscópicas no verso e se não sabes inglês o problema é teu. Diz o verso que « Playback problems may be encountered on some equipment».

Pois. É porreiro isto. Uns génios estes gajos. O Cd ideal. Tão bom, tão protegido que nem se deixa reproduzir. Bestial. Nem o Jardim tem gajos assim tão maus.

Então, para combater a pirataria, inventaram CDs que não tocam. Sim, para quê copiar um Cd que não toca? Aliás, como copiar um Cd que não toca? Apenas um senão... Quem quer comprar um Cd que não toca? Ninguém. O que se faz então? Enganamos os gajos. Não lhes dizemos nada...

Tentei trocar. Nem sequer sugeri o reembolso, apenas pretendia trocar por um Cd que se deixasse ouvir. O vendedor disse-me que não, que não podia. A culpa não era dele e o material não tinha defeito. Tive de lhe dar razão. Não era defeito, era feitio.

Mas já sei por onde pegar. A Emi records e a Apple Corps não se vão ficar a rir. O aviso teria de estar em português. E não está. Está em inglês, francês, alemão e espanhol. Deco com eles. Depois conto.

segunda-feira, dezembro 01, 2003

Momento Publicitário II – O Natal e outros


A pedido da Igreja Católica Apostólica Romana, do Menino Jesus, do Sr. Pai Natal, do São Nicolau e da Associação de Comerciantes de Trás-os-Montes, é com prazer que anuncio, para que tomem as devidas providências, que o próximo dia 25 de Dezembro de 2003, será feriado por ser dia de Natal. *(1)


*(1) Já agora, aproveito para lembrar que o dia 23 de Dezembro, muito embora não seja feriado, é a data do meu aniversário. Para que tomem, também, as devidas providências.



Momento Publicitário III – O Novo Código de Trabalho


Não é que me apeteça por aí além, mas, a pedido da malta lá do Governo, que insistiu muito, divulgo que entra hoje em vigor o Código supra referido, dito novo.

Também não é que me apeteça muito comentar a informação que acabo de divulgar, mas parece-me, humildemente, que nunca tendo existido um Código Velho, só com falta de propriedade se pode falar de um Código novo.

Aliás, tivesse o nosso Ministro um publicitário de jeito *(1) no gabinete e nunca teria deixado passar a oportunidade política de anunciar o Primeiro Código do Trabalho.


*(1) Parece que o problema não é só do governo. Também o BCP e a Panrico têm sérias razões para se queixarem. ( Vide «Jardim Millennar» e «A Forma das Coisas»)

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