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domingo, novembro 30, 2003

A Importância de ser Ernesto


Ontem fui ao Vídeo Clube. Sou sócio de 3 (três). Não que eu seja um grande alugador, a ponto de necessitar de tantos fornecedores. O que sucede é que eu não resisto aos sorrisos das balconistas, e faço-me sócio de tudo o que me pedem.

Mas, dizia eu, fui à procura de um filme. Chovia se Deus a dava, e não se me ofereceu nada de melhor para fazer, senão passar a tarde à lareira, a ler o Expresso e a ver um filme.

Fui sem ter por objectivo um filme especifico. A única especificidade que eu exigia era que me ajudasse a passar a tarde. Só que detesto ir aos clubes sem saber o que procuro, porque a profusão de títulos desconhecidos me confunde. Nunca sei o que trazer, e se uma lição já aprendi nesta vida, é a de nunca, mas nunca, pedir a opinião aos tipos dos clubes...

E lá deambulava eu, pelo meio de corredores e prateleiras, já decidido a levar o primeiro filme que encontrasse, em que não entrasse o Van Damme ou o Vítor Norte, quando o vi.

Ao fundo do corredor, na 2ª prateleira a contar de cima, um filme chamou-me a atenção: The importance of being Ernest. Havia algo no título que me prendia. Uma coisa esquisita, como aquela vontade estranha e inexorável que tive todo este fim de semana, em comer tapas e calamares. Mas há coisas que não se explicam.

É claro que trouxe o filme, para mais quando vi que era baseada numa obra do Oscar Wild e que não entrava nem o Van Damne nem o Vítor Norte.

No caminho até casa, pensei naquela mãe que chamou Ernesto ao filho. Pensei na importância que o Ernesto deveria ter para ela. Pensei na importância que para o Ernesto deveria ter uma mãe como aquela. Não é vulgar uma mãe chamar Ernesto a um filho. Nem é vulgar um filho gostar de uma mãe capaz de o baptizar com tal nome.

E, por momentos, lembrei-me do filme do Mr. Bean em que este, involuntariamente enredado pela força das circunstâncias, se viu no papel de um crítico de arte e necessitou de fazer um discurso acerca do famoso quadro americano « Whistler’s Mother ». Foi o discurso mais lúcido que ouvi até hoje, e, para que não tenha visto, se resume a isto: O que leva alguém a se dar ao trabalho de pintar uma mulher tão velha, tão feia e tão mal vestida? O facto de ela ser a mãe. Não uma mãe qualquer, mas a sua mãe.

Vi o filme. E percebi a importância de ser Ernesto. E o mais engraçado é que o Ernesto não era Ernesto e nem conhecia, tão pouco, a mãe.

É importante sabermos quem somos, é importante termos referências e é importante sabermos que somos importantes para outrém. Concordo.

quarta-feira, novembro 26, 2003

Do Padrão dos Descobrimentos ao Padrão da Burberry’s – Da Epopeia à Feira de Carcavelos


Não sei se haverá alguém no mundo, além de eu próprio, claro, capaz de perceber o sentido e a oportunidade desta associação. Alguém capaz de vislumbrar o alcance geo-político desta relação e de descortinar as suas implicações sociais e económicas.

Ao contrário de nós, os Ingleses cedo se aperceberam que o futuro estava na moda e no design, e não na busca de temperos por esse mundo fora.

Enquanto nós, aqui, tentávamos desvendar os segredos do frango de caril, e do steak aux poivre, já eles pintavam os seus mapas de rosa e faziam barretes com pelo de urso preto, para parecerem mais altos e garbosos. Nós, de preto e garboso, apenas tínhamos os bigodes.* (1)

Assim, enquanto nós nos entretínhamos com as festas e os cozinhados da D.ª Carlota Joaquina, eles revolucionavam a indústria têxtil e inventavam o trabalho infantil.*(2)

Daí ao padrão da Burberry’s, foi uma questão de tempo e de tentativas. Mas nada foi desperdiçado. Os padrões menos bem sucedidos, foram vendidos para a Escócia onde os habitantes os aproveitaram para fazer saias e meias.

E daqui parto para as considerações geográficas e políticas. Suponho que deve existir uma lei, um decreto ou pelo menos um despacho regulamentar, que obriga, a quem trabalhe, na zona compreendida entre o Padrão dos Descobrimentos até a Casa dos Bicos, passando pelo CCB e o Espelho d’Água, a usar, pelo menos, uma peça Burberry’s.

Aliás, é ali ao Terreiro do Paço, mesmo nas barbas do D. José I, que impressiona ver os nossos representantes e altos funcionários(as) a desfilar nesse xadrez do Harrod’s, popularizado pela feira de Carcavelos.

Querem forma mais audaciosa de colonização ? É claro, dirão alguns, que seria bem pior se em vez do padrão burberriano, a moda ditasse o uso dos barretes de pêlo preto da Guarda Real Britânica, até pelo incómodo que causariam no período de verão e pela escassez de ursos. É verdade. Mas imaginem o que beneficiaria, a imagem de políticos como o Marques Mendes. E, por outro lado, a ideia de biquinis de pêlo em vez de tecido axadrezado, também me entusiasma, agora que é moda rapar tudo... * (3)

Mas, pergunto: Depois das quintas do Douro e das praias algarvias, vamos deixar que tomem também o nosso centro político ? Vamos?


*(1) Vide «Deslocalização do Bigode – Parte II

*(2) Mais tarde, haveríamos de ter, também, êxito na indústria têxtil e no trabalho infantil.

*(3) Vide «Deslocalização do Bigode – Parte III

terça-feira, novembro 25, 2003

Nck’s Absence *(1)


Eu sei que o leitor se interrogou e preocupou ao longo destas duas últimas semanas com a minha ausência.

Estará doente? Terá ido no contigente para o Iraque? Estará num retiro meditativo com a miúda do Hare Krishna? Efeitos secundários do Projekt1 ? Raptado por publicitários despedidos com sede de vingança ? Vítima de uma dessas novas sandes maradas? Tudo isto tereis certamente perguntado uns aos outros e a vós mesmos.

Na verdade, o que sucedeu foi que recebi a factura da PT no montante de duas unidades de conta e decidi não voltar à WWW enquanto não instalasse a porra do Adsl.

De maneira que cá estou de volta. Aos que se preocuparam os meus agradecimentos.


*(1) Achei que soava melhor do que «A Ausência do Nck» ou que «L’absence du Nck» . Também pensei em « Quelques contribues généreux pour vous élucidé totalement sur le contumace inexplicable du Nck » mas depois decidi não complicar a coisa.












sexta-feira, novembro 14, 2003

100Visitantes100

Antingimos hoje a centena de visitas.
O.K., confesso que isso não tem uma importância por aí além, mas é um óptimo pretexto para beber um copo, que é o que eu vou fazer já de seguida.

Ah, e não liguem ao contador que aquilo começou em 1111 em homenagem ao Cid.

quinta-feira, novembro 13, 2003

Projekt1.exe e o W32.sober@mm - O Norton Symantec é amigo !


Vá lá. É nestas ocasiões que conhecemos os amigos. Andava há uns dias preocupado com a porra do projekt1.exe que teimava em lixar o meu pc, sem que conseguisse saber se era vírus, bug ou algo pior.

O Filipe, disse-me que lhe tinham dito, que era qualquer coisa feito em visual basic, e que como tal não era vírus. Mas pelo sim pelo não, mandou-me um pequeno ficheiro antivírus. Filipe prevenido vale por dois. Mas o Projekt1 não arredou pé.

Um outro amigo, analista e programador de primeiríssima água, passou-me uma descasca por ter, nada mais nada menos, que uns 56 updates críticos do XP por fazer. Ah, e também disse qualquer coisinha acerca do facto do meu antivírus não estar actualizado desde 2001. Pormenores...

Antes de mais, começou por fazer-me os updates. Mas às duas da manhã achei por bem, desamparar-lhe a loja. O PC ficou rapidíssimo, mas a porra do Projekt1 vencia a contenda com os updates da microsoft.

Marcamos para o fim de semana, não sem que antes, tenha novamente insistido, para que eu adquirisse as actualizações do meu antivírus.

Ontem, lá me convenci e fui ao site. Porra, queriam 49,5 euros! Acham que sou rico? Ainda para mais o diabo do Projekt1 não aparecia nas listas de vírus. Mas volta daqui, volta dali vi uma coisa de borla : Verifique se o seu pc tem vírus dizia. Ok. Tentei. E não é que aquela porra entrou-me pelo pc adentro e descobriu o vírus W32.sober@mm em 538 ficheiros!!

Com o nome do vírus, fui à enciclopédia dos vírus que me informou que este tinha sido descoberto em 28 de Outubro de 2003. Um vírus bébé ! Um Wormzinho. E também, que era executado em linguagem visual basic como dizia o Fil. Descobri também o mail onde vinha. Dizia oninet robot_mail, teste automático. Palavra que já tinha desconfiado.

Diagnóstico feito, ponha-se a questão. Gasto o dinheiro? Estava-me a custar...

Eis senão quando o Symantec me indica onde descarregar o antivírus específico. De borla? Sim de borla!! Eh eh, o Director de Marketing dos gajos ainda é pior que o do Bcp. Assim não vão longe. Foram amigos, mas vão certamente falir.

Dito e feito. Do Projekt1 nem rasto. Fiquei satisfeito.

É claro que não vou dizer nada ao meu amigo analista, assim, ele acaba de me fazer os updates de borla, põe-me o pc num brinco e ainda lhe cravo certamente o jantar....



segunda-feira, novembro 10, 2003

Carta Aberta ao Gasolim

Hoje, estou sem assunto. Aliás, há vários dias que não me ocorre nenhum disparate de jeito. Então pensei, porra, se te estou a dever uma dica , além de um agradecimento público por te dares à maçada de me visitar de quando em vez, porque não aproveitar e matar 2 coelhos de uma cajadada só? Assim como assim, já que todos me acusam de estar constantemente a escrever ou a fazer referencias a comida, ao menos que tenha a fama e o proveito.

Primeiro o agradecimento. Obrigado. Não sei fazer essas coisas dos links, mas retribuo como posso http://gasolim.blogspot.com . Tenho a certeza que os meus dois leitores (sim, além de ti há outro) vão gostar de matar saudades do Nitrato do Chile e do Gás Cidla, e de vibrar com o post de 28 de 0utubro.

Agora a dica. Sempre no pressuposto de referir lugares menos conhecidos do roteiro gastronómico nacional, hoje sugiro-te um passeio até ao Solar de Lavos.

Vindo dos teus lados, tens de apanhar a estrada para a Figueira da Foz, a nº 109. Uma dezena de quilómetros antes de chegar à Figueira, cortas à direita para Lavos. Não cortes para a esquerda, a não ser que queiras tomar banho, que por aí vais ter à Costa de Lavos. Depois o melhor é perguntares. Fica à beira da estrada, e é um antigo solar transformado em restaurante recatado e requintado q.b. .

O que comer ?

Do menu tradicional, não percas as pataniscas de bacalhau com arroz de feijão. Do melhor que comi, sem o mínimo de exagero. Nem sei se gosto mais do arroz ou das pataniscas.

Do menu delicado, é imperativo provar o rissoto. Um arroz caldoso, caldeirado com míscaros campestres e um molho à base de carne. Acompanha com um naco de lombo vitelino grelhado. Depois me dirás...

Se fizer o teu género, enquanto esperas pela refeição, experimenta o carpaccio. Fino de corte, de sabor e de requinte.

Se quiseres gastar dinheiro em vinho, tinto claro, tens por onde o dar por bem empregue.

Quanto a sobremesas, eu não dispenso o gelado de limão, banhado em vodka e com uma folhinha de menta.

E se fores ao jantar e tiveres quem te conduza.. que tal uma aguardente velha, d’ Alma ou outra, em balão flamejado ?

Serviço atento e simpático pelos donos da casa. Preço justo.

Se for de dia e decidires continuar caminho, esquece a Figueira, passa por Montemor o Velho e toma um café ou um chá no Castelo. E se continuares por Coímbra, pela n 111, pára na Pousadinha, logo a seguir a Tentúgal, e abastece-te de pasteis e de queijadas, que saiem continuamente do forno. (É à beira da estrada, do lado esquerdo, no sentido Figueira - Coimbra. Quando vires dezenas de carros parados é aí.)

Bom apetite !



quinta-feira, novembro 06, 2003

Pequena Reflexão Vll – O Jardim Milenar


Ajudem-me, que eu sozinho não chego lá.

Havia o Banco Português do Atlântico. E o Banco Pinto e Sotto Mayor. Depois surgiu o Banco Comercial Português. E este, criou a Nova Rede, e o Banco 7. E comprou o BPA e o BPSM. Depois o Atlântico foi despromovido a Loja. E o Sotto Mayor foi despromovido à condição de mera marca. Gastaram-se milhões em campanhas publicitárias e em mudanças de imagem. Diversificar e bancos à imagem do público alvo, era a palavra de ordem que justificava a multiplicação de bancos e campanhas publicitárias diversificadas.

Hoje recebo o extracto do banco e avisam-me que passa tudo a ser Milleniumm bcp. bcp com letra pequena e secundarizado..... e Milleniumm com fundo rosa.

Expliquem-me, por amor de Deus, onde foi o Jardim desencantar estrategos e publicitários deste gabarito?

terça-feira, novembro 04, 2003

A Forma das Coisas – Continuidade ou Mudança ?

(Título alternativo : O Fiambre, o Queijo e o Pão de Forma – O Imbróglio Geométrico de uma Mudança Caótica )

A linearidade do tempo e do espaço não é um dado adquirido. Nem a trajectória da Luz e a sua velocidade de propagação no espaço, nomeadamente, quando em confronto com grandes massas gravitacionais. Além de eu próprio, também o Einstein fala disto. Eu, com menos propriedade, ele, com mais relatividade.

Também a História, a dos Homens, não segue um percurso uniforme e evolutivamente constante, como segue, por exemplo, a carreira do Tony Carreira ou do Vítor Peter, claras excepções que apenas confirmam a regra.

É sabido que há choques sociais, políticos e económicos (dos térmicos e eléctricos poderemos tratar noutro dia) que fazem com que isto avance aos solavancos. Um bocadinho para a frente, um nadica para trás. Mas tendêncialmente para a frente, excepto no caso de Portugal, clara excepção que apenas confirma a regra.

E não sou só eu que o digo. O Hegel, explicava bem isto com as suas teses, antíteses e sínteses, se bem que eu sempre preferi a teoria da espiral do Jean-Baptista Vicco, que além de filosofar sobre estas coisas com alguma consistência, fazia um raviolli de trás da orelha !

Ora bem. Eu não sou situacionista. Nem conformista. Nem regressista e muito menos contorcionista ( embora saiba umas posições porreiras). Para mim, o status quo só o é até deixar de o ser. Mas, vocês, sabem como eu não abdico de regras e das regras. Isto para dizer que comigo, ou se muda tudo ou então mais vale estar quieto. Ficar a meio não é comigo! Primo e prezo-me por acabar aquilo que começo. Nomeadamente e especialmente, as refeições na Tia Alice e na Bolota Castanha ( a da Terrugem).

Qualquer mudança tem envolvências, interligações e repercussões que muitas vezes escapam ao olho do incauto ou do menos prevenido. È necessário, aconselha a prudência, estudar cuidadosamente todos os ângulos e rebordos da questão, antes de mudar seja o que for, para que a mudança não redunde no imbróglio geométrico com que hoje nos deparamos, entre o fiambre, o queijo e o pão de forma.

Durante anos, tudo era simples. Uma fatia de pão, manteiga, uma fatia de fiambre, uma fatia de queijo, outra fatia de fiambre, mais uma nesga de manteiga e uma derradeira fatia de pão. Tudo encaixava. Tudo era simples. Uma sandes perfeita, no conteúdo e na forma.

E que fazem? Creio que num golpe de marketing, baseada no suposto cansaço dos clientes na respectiva forma, decidiram arredondar o fiambre e o queijo fatiado. O.K., até aqui tudo bem. Por mim sempre preferi as curvas às rectas, mesmo para acelerar. Mas, e o pão de forma !!!!! ?????? Esqueceram-se do pão de forma? Esqueceram-se da forma, do pão de forma !!!!! ?????? Pergunto-vos ó publicitários inconsequentes, já tentaram fazer uma sandes decente com pão quadrado e ingredientes redondos?

Um conselho de amigo, para a próxima, delineiem previamente as estratégias com os colegas da Panrico e da Bimbo, para que estes, em vez de se entreterem a tirar a côdea ao pão, o arredondem à medida das vossas necessidades e as das minhas sandes.


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