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terça-feira, setembro 30, 2003

As Vozes da Rádio


Primeiro chegaram as novelas. Mas ficámos a conhecer a Vera Fisher e a Gabriela.*(1) Depois foi a música. Mas deram-nos a conhecer a Bethânia, o Veloso e o Buarque. Logo depois, descobrimos poetas e escritores, Vinicius e Amado. Fizeram-nos rir com o Jô, puseram-nos a sambar, a gostar de pão de queijo, de feijão preto e do Chico Bento.

E tudo correu bem até ao dia em que eles decidiram conhecer-nos pessoalmente. Aí cagaram o cão.

Desde aí, é vê-los a chegar em turística e a espalharem-se ordenadamente pelo país. As mulheres para Bragança e os homens para as rádios locais. Parecem treinados. Como se tudo fizesse parte de um maquiavélico plano superior, para nos tramar e colonizar. Como naqueles filmes de ficção científica dos anos 60, só que com Márcios, em vez de marcianos.

Oi pésuau! (Oi pessoal !) Tudo légau ? (Tudo legal ?) Tudo. Menos eles. Mas o que mais me chateia, é que tenho a nítida sensação de que, enquanto nos perguntam aquilo, escondidos no posto emissor, nos estão a fazer um pirete. A nós e ao Camões. Como se não lhe bastasse o desgosto de ser cego de um olho. * (2)

Porra! Não confio em gajos com voz melosa, aliás, mais peganhenta que melosa. Chamem-me desconfiado, nacionalista, o que quiserem, mas eu cá prefiro vozes portuguesas. Pelo menos em Portugal e no rádio do meu carro.

E com tanta voz bonita e original por aí.....



* (1) O cravo e a canela já nós conhecíamos desde que o Infante D. Henrique se lançou ao mar em busca de temperos para os bifes. Ai não sabiam? Pois foi. O tipo adorava bifes e faltava-lhe a pimenta. Por isso é que os bifes das cervejarias têm todos nomes ligados ao mar e ao 10 de Junho. È homenagem : Bife à Portugália, Bife à Camões, Bife à Atlântica. Só o bife da Trindade é que não, mas a excepção só confirma a regra.
Que tem o 10 de Junho a ver com o Infante de chapéu estranho, oiço perguntar aos mais perspicazes? Nada. Acontece é que os tipos das cervejarias fazem um bocado de confusão entre o Dom Afonso Henriques, rei, e o Dom Henrique, Infante.


* (2) Penso que do esquerdo. Esperem vou ver.... Não, afinal era o direito. Vi no desenho do Pedro Proença. Eu sabia que o coleccionável do Expresso me haveria de ser útil. Vale bem os mil e duzentos paus* (3).

* (3) Desculpem mas ainda não me habituei ao euro, que me parece uma moeda mais para mulheres.

segunda-feira, setembro 29, 2003

A Alheira

Por vezes tenho mesmo orgulho de ser português !! Palavra! Sinto assim um não sei quê, no peito, a apertar.. um friozinho no estômago, um arrepio na pele...

Sinto que ser Lusitano é ser maior, é ser mais alto. Bom mais alto talvez não. Se quisermos ser rigorosos não podemos dizer isso. Mas que somos os maiores, lá isso somos! Não somos? Acho que somos.... Somos!

E o que despertou em mim este furor patriota? Esta alegria abissal e incontível de ter nascido e sido criado na Bidoeira de Cima?

A alheira! Esta dádiva da gastronomia portuguesa.

Estava eu na Charcutaria do Manel do Talho, ali ao Bairro da Ameixoeira, e enquanto aguardava a minha vez, percorria a vitrine tentando vislumbrar o que seria o meu jantar. E estava assim, naquela dúvida imensa, naquela incerteza angustiante de não saber o que comer, quando as vi, belas, altivas, curvilíneas e aloiradas. E pensei : Têm de ser para mim...

Empertiguei-me, concertei as melenas, pus em alerta laranja as minhas pupilas gustativas e preparava-me para as pedir......... mas depois caí em mim. O que diria a minha Maria se eu levasse aquelas duas turistas Suecas para casa? Fazia a bonita, fazia.

Decidi-me então por duas alheiras, tipo caseiro, de Mondim de Basto, que das outras não havia. Cabiam na cesta e não me dariam problemas de maior em casa, a não ser um suspiro desacoroçoado da patroa por causa dos pingos de gordura no fogão. Descansa, eu limpo! Mentira nunca limpo.

Decidi bem. Ao fim e ao cabo com as alheiras, um ovinho estrelado no molho da fritura, um tinto alentejano e a companhia da minha Maria, até que eu não ficava nada mal. Nada mal, não Senhor !


domingo, setembro 28, 2003

Deslocalização - Parte Vl

Recebi um conjunto de pedidos insistentes, formulados, nomeadamente, pela Escola Secundária de Forjães, classificada em ultimo lugar no Ranking Nacional, e ainda pelas mais brilhantes personalidades do mundo político, nacional e internacional, dos quais destaco a Sua Excelência, o senhor Kumba Yala, ex-presidente da Guiné, não só por ter um nome giro, mas sobretudo por respeito àquele barrete de lã vermelha no cocuruto da sua cabeça e que tanto jeito lhe deve dar no calor tropical.

Escreveram-me eles, a pedir que esquematizasse a minha exposição sobre os vários tipos e subtipos de bigode. Os primeiros porque, embora tenham percebido facilmente, queriam uma cábula para não ter que estudar, e os segundos, os políticos, porque não perceberam corno.

O Kumba, então, pediu-me mesmo um relatório exaustivo e circunstânciado acerca da Desclasse C (NCADC), a classe dos bigodes em vias de desenvolvimento, ou seja a dos que aspiram a fazer parte de uma Classe e em teoria estão em vias de o conseguir, embora na prática saibamos que nunca lá vão chegar.

Aqui vai então o esquema. * Espero que vos ajude.


A (CA)

Classes : B (CB)
(C)
C (CC)


Sub Desclasse AA (NCADASDAA)
Desclasse A :
(NCADA) Sub Desclasse AB (NCADASDAB)


Sub Desclasse BA (NCADASDBA)
A : Desclasse B :
(NCA) (NCADB) Sub Desclasse BB (NCADASDBB)

NãoClasse : Sub Desclasse CA (NCADASDCA)
(NC)
Desclasse C : Sub Desclasse CB (NCADASDCB)
(NCADC)
Sub Desclasse CC (NCADASDCC)

B
(NCB)


Medicinas Alternativas

Sem querer, distraí-me e acompanhei um bocadinho do Congresso do CDS-PP, agora mais PP-dependente, do que nunca . Na verdade, devo confessar que, inicialmente, pensava assistir a um congresso de medicina, muito embora estranhasse o facto de ser o Dr. Portas o orador. Nunca me tinha apercebido que ele fosse médico e muito menos especialista em tumores.

Mas lá estava ele, com ar de quem sabe do que fala, tal qual o Nuno Rogeiro, a dissertar sobre medicina e terapêuticas para o país. De quando em vez distraía-se e falava de política, o que se compreende. Mas às tantas já confundia as duas coisas e misturava os temas, ao ponto de dizer que a descolonização era, tinha sido, um tumor. Não esclareceu de que tipo, mas tendo em conta a debandada geral que foi aquilo nas ex-colónias, deduzi que seria maligno e, quiçá, contagioso.

Não sei porquê, veio-me então à cabeça o Dr. Mário Soares. Depois cheguei lá : Tinha-o ouvido também a diagnosticar e a identificar tumores, e até a recomendar terapias profiláticas. Mas o Dr. Soares era mais drástico, mandava extirpar o mal de vez.

Eu reconheço que desconhecia que os políticos podiam receitar. E que tivessem vinhetas. Sempre pensei que tivessem apenas senhas. As de presença. E mesmo assim poucas.

sábado, setembro 27, 2003

Deslocalização – Parte V


Penso que é a altura de nos debruçarmos com algum cuidado e rigor sobre a tipologia bigodal e tentar estabelecer e caracterizar a relação bigode / indivíduo numa dupla perspectiva taxinómica e psicanalítica.

Assim, à primeira vista, que não me apetece pensar muito, julgo não errar por aí além, se disser que podemos dividir os bigodes em classes. Para aí umas três: Classes A, B e C.

Ah! E temos que contar ainda com os bigodes desclassificados e os bigodes sem classe. Para facilitar, chamemo-lhes respectivamente, bigodes do tipo NãoClasse A e NãoClasse B.

Os bigodes desclassificados, do tipo NCA, são todos os que ainda não foram classificados, mais os que tendo sido classificados, foram por uma razão ou outra desclassificados, somados aos bigodes subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, como agora se diz, que por isso mesmo, ainda não podem ser classificados.

Se me acompanharam, verificaram, como eu acabo de verificar e confirmar, que a classe dos desclassificados, a NãoClasse A, acaba por ter também, em si mesmo, três classes ou desclasses. Chamemo-lhes, para ordenar o raciocínio, respectivamente Desclasses A, B e C.

A Desclasse A (NCADA), a primeira classe da NãoClasse A, ou seja a classe dos bigodes que ainda não foram classificados, reparte-se por sua vez em duas subdesclasses: A dos bigodes não classificáveis ou inclassificáveis de «per si», em virtude de características intrínsecas ou endógenas, e, está-se mesmo a ver, a subdesclasse dos bigodes inclassificáveis por motivos e factores exógenos ou extra-bigode. Respectivamente, apadrinho-os de Subdesclasse AA (NCADASDAA) e Subdesclasse AB (NCADASDAB).

A Desclasse B, a segunda classe da NãoClasse A, ou seja a dos bigodes desclassificados, compreende os bigodes ilegais e/ou inconstitucionais, e os bigodes supervenientemente desclassificados, por terem perdido a classe. Respectivamente Subdesclasse BA e Subdesclasse BB.

É muito importante não confundir a Subdesclasse BB (NCADBSDBB) com a NãoClasse B (NCB). No primeiro caso temos bigodes que tendo tido classe, vieram a perdê-la, e no segundo caso temos os bigodes originariamente sem classe, logo não categorizáveis à nascença. É a classe mais baixa de todas, muito mais baixa que a Desclasse C, a terceira e ultima classe da NãoClasse A.

A Desclasse C, a dos bigodes que aspiram a fazer parte de uma Classe e em teoria estão em vias de o conseguir, embora na prática saibamos que nunca lá vão chegar, é divisível nas SubDesclasses CA, CB e CC, em conformidade com a Classe que pretendem vir a integrar.

Isto é tudo muito simples e intuitivo, mas, ainda assim, há quem inexplicavelmente confunda as coisas. Parece impossível!

sexta-feira, setembro 26, 2003

Deslocalização : Parte IV


Ontem fui almoçar com uns amigos. Ligaram-me de véspera a falar de um sítio sensacional, absolutamente «in». Que tínhamos de ir, que era fino, que já toda a gente que era gente tinha ido e que isto e que aquilo, enfim. Eu confesso que o meu instinto me dizia : Não vás.... não vás... olha que é quinta feira... não percas os pézinhos de tomatada do Leonel... mas fui. Tive de ir. Parecia mal não ir. Disse à Ludivina para aliviar a agenda da tarde, peguei na minha Maria e lá fomos experimentar o restaurante que eles nos propuseram.

Eu considerava-os meus amigos. A sério. Eu sei que eles são um bocado estranhos e que gostam de jazz, mas até simpatizava com eles. E aonde me levaram eles? A uma Sá -lá -dé -rie... tenho de soletrar porque até me custa a dizer. Sabem, um daqueles sítios cheios de décor onde só servem saladas larilas e aquelas panquecas subnutridas chamadas crepes...

A primeira coisa com que me deparei, para além do gajo de bigode (dos suspeitos) , foi o pão. Não havia .
Não pode ser. Deve haver engano. O criado era novo com certeza... esqueceu-se de por... Não era novo. Nem se tinha esquecido. E aquilo, nas orelhas do gajo, eram mesmo brincos.

Um restaurante sem pão!!!!!!!! Raios me partam! Eu pensei que fosse proibido. Abrir um restaurante sem pão? E a Direcção Geral do Turismo não fazia nada? Até Jesus teve pão na ultima ceia! Pedi delicadamente: Desculpe será que .... trouxe-me 3 bolachas integrais de agua e sal embrulhadas em papel celofane.

Já experimentaram comer azeitonas, com bolachinhas todas integraizinhas embrulhadinhas em papel todo celofanizado a preceito? E tirar o celofane? Para aqueles gajos de unhas compridas e pulsos sempre a 90 º será fácil, mas para homens como eu que usam as unhas como deve ser, rentes, para não ferir o nariz...

E para beber? Tinto ou cerveja apressei-me eu a sugerir ao grupo. Que não, que não, impôs o criado, que tinha de ser cidra que era de pressão e tudo e que era o que toda agente bebia, e nada melhor que a cidra para a salada e.... Cidra... cidra.. Mas alguma vez na vida pensei ter de beber cidra ?! Aquela bebida com ar de resultar de uma decantação renal apressada. E doce. Doce!

A ementa, percorri-a uma centena de vezes... nem sinal de um saudável bitoque. E então já escolheram? Querem que sugira...? Não! Por favor não sugira mais. Sugeriu.... Penso que o gajo era surdo ou então que gozava comigo.

Acabei com uma «salade de poule aux bernabaise» à frente... Disse-me que tinha frango. Achei minimamente seguro. Mas não, não era. Porra, frango tem asas e presuntos e pele tostada e ossos para rapar ! Aqueles criminosos desossaram o bicho e trincharam-no todo. Todo desossadinho e trinchadinho, coitadito do bicho, que até metia dó. Afinal tanta sensibilidade, tanta sensibilidade e acabaram por fazer aquilo ao galináceo.

Nunca mais falho o Leonel.


quinta-feira, setembro 25, 2003

Deslocalização – Parte III


As voltas que o mundo dá. Bem dizia o Copérnico. Agora são as mulheres que usam ou ambicionam usar bigode. Umas literalmente como vimos. Outras em sentido figurado, ou melhor, transfigurado, de homens.

Bigode, cabelo curto, calças e até, pasme-se, boxers ! E a fumar meu Deus !!! A fumar !!! Lugares de direcção, carros desportivos, ginásio, reuniões, showboys....

O Obélix dizia que os romanos é que eram loucos, mas mais valia estar calado. Sim, porque no meu modo de ver foram os Gauleses que deram cabo desta merda toda... com os desfiles de roupa e os Champs Elisés e os Champs Pignons e aquelas natuças todas com que efeminizam a comida e todas essas coisas rabetas que eles fazem. A começar no Camembert e a acabar nos perfumes Channel.

O que vale é que na nossa parte da península, sempre comemos comida de homem : Pé de Porco, Mão de Vaca, Tubaros e Bacalhau. Muito Bacalhau !

O bigode na mulher é símbolo da sua emancipação. Representa o acesso livre e desinibido à Gillette e à espuma de barbear. Todos sabemos com as mulheres acalentaram desde sempre o velho sonho de usar Old Spice... não admira, aquela porra cheira mesmo bem!

Que os usem. As lâminas, a espuma e o Old Spice. Mas, a bem da nossa sanidade mental, a dos homens, parem de rapar todo o que é pêlo!

È isso mesmo. Parece que acharam piada à coisa e passaram a rapar a coisa !!! È verdade!. Nós por cá não notamos que as nossas mulheres são católicas e de respeito e nunca lhes daria uma parvoeira dessas até porque sabem os maridos que têm em casa, . Mas lá fora parece que até há salões... e depois admiram-se de um tipo falhar o sítio... está certo que qualquer sítio é bom e apropriado, mas porra! Compete começar por lá. Tem de haver regras! E as regras dizem que se tem de começar por lá, pela coisa. E para isso a coisa tem de ter pêlos, senão como é que um gajo se orienta no escuro? Têm o exemplo do outro... e vejam no que aquilo deu.. passa o tempo a chorar.

Olhem para a Sharon e vejam se ela vai em cantigas. Uma mulher às direitas aquela! Sim senhora! E higiénica ! Sempre arejadinha ! Por isso todos lhe querem chegar a roupa ao pêlo....

quarta-feira, setembro 24, 2003

Deslocalização – Parte II

O que tinham Errol Flyn e Freddy Mercury em comum? Bom, além da penúltima letra do alfabeto anglosaxónico, tinham o bigode. O do Flyn esguio e garboso, o do Fred mais compacto e boçal, mas ainda assim suspeito. Diferentes mas iguais, rotos. Como o Rock Hudson, o George Michael e dezenas de outras florzinhas de bigode .

Nós, os latinos *, verdadeiros exemplos de machitude exacerbada, barrasquentos e com dialéctica fálica suficiente para dar, que vender não nos vendemos, também tínhamos bigodes, mas eram diferentes... Fartos , pretos, por aparar, cobertos por camadas sucessivas de sopa e restos de feijoada, eram bigodes a sério. De homem. Grande Chalana. Tu sim, sabias o que era um bigode. Um verdadeiro exemplo para as camadas jovens.

Mas tivemos de os rapar, de os cortar rente. Fomos maquiavelicamente forçados a abolir qualquer indício de alcatifamento e isolamento térmico sub nasal, arriscando gripes e outras maleitas invernais. Tudo por causa das bichinhas do cinema e das artes que deram má fama ao dito apêndice. Até parece que nas Américas o pêlo debaixo do nariz faz comichão no rabo...

Enfim, o que é certo é que o bigode, outrora símbolo de bravura e de galhardia, é hoje sinónimo de mansidão. Infâmia...

De um momento para o outro tudo a correr para o barbeiro da esquina que acabou fazendo fortuna......rasp rasp rasp : Vá de retro bigode, antes que vir de retro ! Sabe-se lá se o mal se pega ! E já Bocage, advertia cauto e com assaz pertinência : Antes prevenir que rabiar! .



* Os Portugueses e os Italianos, que os espanhóis nunca me enganaram. Aquela coisa da sesta e tal. Qual quê! Um gajo que dorme ao meio do dia é mole em tudo! E bem sabemos que se há coisas que um homem não pode ser é mole. Preguiça fálica não, caraças ! Avisado foi o Afonso e a Padeira que não queriam nada com eles... por isso é tão importante aprender e dar o devido valor às lições da história...

E mesmo os Italianos não sei. È certo, faziam as orgias e tal, mas no meio da brincadeira não sei se não iam criados e tudo. Parece que o Júlio até chamava Brutus ao sobrinho. E usava temperos na cabeça! Por alguma razão era... A Ludivina concorda comigo. O certo é que com a brincadeira o império se lixou. O que vale é que o pobre do Cícero por essa altura já adubava as cepas e não teve de relatar esta triste e purulenta parte da história romana nos seus anais, salvo seja o termo e a sua propensão a equívocos.

Dos Gregos nem falo. Aqueles gajos todos nus, de nádegas musculadas ao léu a pedir chuva. E depois os mestres , os discípulos, aquele à vontade todo entre o Sócrates e o Platão mesmo ali debaixo do nariz do Delfos... será que ele também usava bigode ? E já agora qual a origem etimológica do termo Oráculo ? Será que diziam mesmo que iam ao Oráculo do Delfos? Ou diriam e fariam algo foneticamente parecido e que foi mal perpetuado pela história ? E aquela história da Cicuta está muito mal contada... Aquilo de certeza que foi vingança de alguma bicha despeitada. Penso mesmo que quiseram abafar a coisa espalhando o boato que eram machões e que tinham feito um Filho à Sophia... Não sei. Pelo que eu ouvi dizer a miúda gostava era de um tal embarcadiço chamado Ulisses que passava o tempo com aventuras. Não sei.

terça-feira, setembro 23, 2003

A Deslocalização do Bigode



O fenómeno da deslocalização é frequentemente associado à transferência territorial de pólos industriais e de unidades económicas e tido como fruto da globalização da economia.
Porém, não sejamos tão redutores. Há muito que se regista outra fenomenologia deslocatorial, mais antiga, e que não tendo obrigatoriamente um fundamento economicista , não deixa também de o ter.
Sim, adivinharam. Falo da deslocalização do bigode. Deslocalização do dito, em primeiro lugar, do homem para a mulher e ainda, embora em sentido mais lato, do respectivo posicionamento na geografia corporal.

Deslocalização - Parte I

Foi a minha fiel, perspicaz e 100% updated Ludivina, que me chamou a atenção para o facto.

Teorizava eu com ela, e ela comigo, acerca de uma cliente minha. Feia como um cão, daqueles pinchers escanzelados com ar de serem filhos da Signourey Weaver e incapaz de se vestir sem utilizar cores shocking (choking?) e padrões floridos ao bom estilo do imigrante dos anos 70, a senhora é inteligente, muito, e tem um incrível apêndice piloso supra labial. Uma forma delicada de dizer que a mulher tem um bigode filho da mãe! Casada? Claro. O marido? Um tipo normal, aparência decente, enfim nada que nos sugerisse o seu recôndito gosto em mulheres e em pêlos.

O casal anda sempre de mãos dadas e parecem celestialmente felizes. Excepto à noite, quando a vizinhança acorda com alguém a soluçar incontrolavelmente no pátio. O marido, claro.

Momentos de lucidez, o cair em si, propunha eu à Ludivina. Ao fim do dia, incapaz de se conter mais, o desgraçado dava largas ao seu sofrimento e à angústia e à vergonha de um homem de 40 anos ter de andar de mão dada em público com um arco Íris peludo.

Mas não, elucidou-me. A mulher bate-lhe mesmo e a porra do gajo não tem outro remédio senão refugiar-se no pátio.

Coitado avancei eu, mas depressa esclareceu-me que mais uma vez fui precipitado e incauto no meu julgamento. Diz a Ludivina, que não é mulher de falar sem saber o que diz, que tudo tem a ver com o posicionamento do tufo. O tufo de pêlos. Aquele imenso mar negro de excrescências capilares situados debaixo da penca do raio da mulher.

Mas então, contrapus, o que leva um homem adulto, no exercício pleno e supostamente livre das suas capacidades cognitivas a suportar tal sorte?

O bigode farto e negro sentenciou. Na escuridão da noite, no recato do quarto, no frenesim louco do desejo e da paixão, o tipo obviamente confundia o bigode com outra zona supostamente provida de pêlos. E pelos vistos sabia-lhe bem o engano! Achava, que o aconchego da mulher era diferente das outras que tinha conhecido, e isso compensava tudo o resto.

Afinal tudo se resumia a movimentos logarítmicos e a conjugações numéricas favoráveis com o algarismo seis e o mesmo algarismo acrescido de três unidades. Um número inteiro portanto, que devidamente equacionado e posicionado mais não é que o Yin e o Yang, a incarnação da harmonia, mistura de carne e hormonas . Mas isso levava-nos para as Vacas e para as Loucas e não podemos tratar de tudo aqui.......


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