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terça-feira, julho 20, 2004

Futuro local do próximo post.

domingo, maio 23, 2004

O Teste das Favas

Está certo. Eu sei que é fácil falar à posteriori, depois do facto ou do acto consumado. Mas porra, o tempo tem-me faltado e um gajo por muito que tente e sue não chega a todo o lado. E também, diga-se em abono da verdade, se tivesse escrito ontem, antes do casório, duvido mesmo assim que tivesse valido de alguma coisa.

De maneira que aceito a realidade, aceito a minha incapacidade em mudá-la e aceito que a Letícia seja hoje Princesa das Astúrias. Até porque eles já são grandes e o problema não é meu...

O pior é que simpatizo com o Filipe que me parece um Bourbon porreiro. O pai também não é mau rapaz. Chorou no casamento das filhas, de maneira que tem o meu voto de confiança. Na verdade, e que isto fique entre nós, desconfio que no casamento da mais velha, sim da Helena, a Infanta feiosa, o choro foi mais de alívio por ter arranjado um tipo que casasse com ela. Mesmo sendo com quem foi, e, convenhamos, não foi com grande coisa. Porra, viram a gravata dele ontem ? Verde alface ? Abstenho-me de fazer o trocadilho que se imporia com o casaco de asa de grilo porque é muito óbvio e não gosto de coisas fáceis. O pudor impede-me, também, de fazer referência ao colete cor-de-rosa. Mas enfim, casou com a miúda e por isso algum mérito temos de lhe reconhecer.

Agora tivesse eu podido, teria sem dúvida aconselhado o Filipe a recorrer ao teste das favas. Não que eu tenha muitas dúvidas em relação à Letícia, porque aquele perfil (o do rosto) não augura grande coisa. Mas por uma questão de tira teimas. Não sou muito de me enganar, e, passe a imodéstia, costumo acertar na avaliação que faço das pessoas só de olhar para elas. Simpatizo ou não simpatizo. E se não simpatizo é porque há ali coisa. E a Letícia tem coisa.

Aliás, penso que todas pensamos que a Letícia tem coisa. O que sucede é que alguns não o querem admitir. Ou com receio das represálias, ou porque confiam no bom senso da Casa Real Espanhola que supostamente terá realizado todas as investigações e todos os testes possíveis. Pois, mas faltou-lhes o teste das favas, e sem o teste das favas.....

Foi pena, porque nem sempre é possível aplicar o teste. Por carência delas, das favas. Quando se está fora da época e não é possível esperar um ano inteiro por uma nova colheita, condescendo e aceito que se corra o risco. O de se casar sem o teste das favas. Agora em plena época faval, com favas abundantes e tenrinhas, nada justifica que não se tenha lançado mão do teste!

O melhor é serem guisadas, com chouriço, negrito, entremeada e entrecosto. O ovo escalfado não é condição fundamental. Mas em caso de inépcia culinária podem optar por cozer as ditas, e temperá-las com azeite, alho picado e coentros, à moda dos meus amigos além Tejo. Se bem que lá se comam assim por opção gustativa e não por necessidade.

Com as favas prontas, arranja-se maneira de atrair a cachopa à cozinha e fica-se à espera. Se ela se precipitar para a mesa, perguntar pelo tinto ( também se aceita, estando muito calor, que pergunte pelo João Pires ou qualquer branco seco fresco), e se lançar às favas, é porque é indubitavelmente boa rapariga e merece a nossa confiança. E se assim é, que case lá então com o rapaz e sejam felizes. Nunca, até hoje, ouvi falar de uma miúda que, gostando de favas e de todo o rito que o petisco envolve, não fosse simultaneamente simpática, amiga e boa companhia.

Coentros e rabanetes não vão à mesa do rei... e pelo que vimos as favas também não. Oxalá eles não se arrependam.

quinta-feira, abril 22, 2004

Aquacultura – O Triunfo da Sardinha


Ainda me lembro da primeira vez. Vejo-me a sorrir no carro, com elas ao lado, pensando como eram bonitas e frescas. Sim, eram duas. Só pensava em comê-las, e quanto mais depressa melhor.

Corri para casa e olhei novamente para elas antes de as lavar. Maneirinhas, nem grandes nem pequenas, indubitavelmente frescas e luzidias, e a um preço incrível. Por isso trouxe as Douradas do mercado em vez do Carapau.

Só comecei a desconfiar da esmola quando as coloquei na grelha e me começou a cheirar a sardinha, da espanhola, e o peixe a largar molho como lentriscas.

No sábado seguinte fui reclamar e soube o que se passava. De início a peixeira não me quis dizer, tentou disfarçar, mas por fim, moidinha de remorsos, lá me mostrou o certificado de origem : Aquacultura-Grécia.

Percebi que era o fim. Ás trutas do Nabão, vilmente difamadas com os sucedâneos pré-fabricados, juntavam-se agora a dourada, o robalo e o rodovalho. E donde provinha tal infâmia? Do Parténon, suposto berço do conhecimento e da cultura ocidental . Quiçá daí o nome do negócio: Aqua Cultura. Mas, digo-vos, não ides na cantiga do Delfos, e antes de vos conhecer a vós mesmos, tentai primeiro conhecer o peixe que comeis.

Daí para cá, dou graças a Jupiter pelo Sargo, pela Petinga, pelo Linguado e demais peixes Santos que não se dão em viveiro. E na dúvida, quanto à origem Atlântica do peixe, vou pelo seguro e peço Sardinha.

Na verdade, isto de criar peixes é como criar filhos. Não basta dar-lhes Farinha Amparo e esperar que cresçam. Não resulta. Temos que nos dedicar porque a tarefa é complexa. Dificilmente triunfamos ao criar um ou dois, e se nos aventurarmos a três, a façanha torna-se realmente hercúlea. Ora criar um cardume inteiro é obra impossível de levar a bom termo. O mesmo se passa com os miúdos. É impossível juntar um magote de recém nascidos numa escola e esperar que saiam conformes. As similitudes entre o processo educativo e de crescimento dos miúdos e dos peixes são tantas que os ingleses, entendidos nestas coisas de pedagogia como se comprova com as famosas teorias do Dr. Spock, inventaram o substantivo colectivo «School of fish».

A natureza até fez a coisa bem feita e a cada espécie foi dado um nº limitado de descendentes. Um filho/peixe deve ter uma mãe e um pai, e os pais não devem ter mais filhos do que possam criar. Neste sentido, li algures que há uma relação causa/efeito entre a palavra “Mãe” e a expressão “Meu Deus!”. É que quantas mais vezes os filhos/peixes chamam a primeira, mais as mães dizem a segunda. Onde se lê mãe pode ler-se pai.

E aqui entramos no impacto do processo nos progenitores. Se bem que me pareça que baste por vezes um único filho, na idade da puberdade, para dar cabo do equilíbrio mental e emocional dos pais, é indesmentível que o perigo de colapso físico e psicológico se adensa com a multiplicação dos rebentos.

Para pescar um bom peixe/filho são precisos horas e horas à beira mar. Por vezes desesperamos, pensamos não estar à altura da tarefa, duvidamos mesmo se vale a pena o tempo investido na pesca e desinvestido em nós. Mas, quando os nossos peixes/filhos nos olham, e olhamos nos seus olhos, compreendemos que a espera compensa.


quinta-feira, março 11, 2004

Eu e o Benfica
Temos de mudar os dois de táctica. Afinal, apercebo-me que o ser humano se distingue, mais do que eu pensava, pela diversidade de interesses. Sempre pensei que houvesse uma raíz comum, qual espinha dorsal dos interesses menores e particulares. Parece que não.

Julgava eu que o contador iria disparar em flecha com as palavras chave do ultimo post, e afinal registei uma queda de 0,6 page views dia. É desolador.

Viverei eu à frente do meu tempo? Ou simplesmente perderam-se os valores?


P.S. - Camacho, faz uma introspecção e tenta reconhecer, como eu acabo de fazer em relação a mim mesmo, que estás errado. Vais ver que te sentirás melhor. E pede depressa a táctica ao Mourinho, para a poderes estudar antes do jogo de logo à noite. Mas pede-lhe também os Jogadores. E o Pinto da Costa. Que só com a táctica num te safas.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Em Prol do Contador *


Miúdas. Benfica. Ferrari. Camões. Barca Velha. Porto. Sexo. Audi. Ganhar dinheiro sem trabalhar. Dvd. Sporting. Mulheres. Mercedes. Pessoa. Bmw. Fugir aos impostos. Euro 2004. Selecção. Oral. Lacoste. Ténis. Musica. Sapo. Oscares. Boobies. Fado. Golo. Casa Pia. Big.Telemóvel. Playboy. Mail.


*Nota : Eu explico. Há muito que eu andava intrigado com o Gasolim (blogspot.com ou blogs.sapo.pt). De quando em vez lá estava ele: escreveram isto ou aquilo no motor de busca e vieram parar ao meu blog (ao dele). Eu até percebia que um motor de busca podia remeter para o blog. O que me fazia confusão era como sabia ele que termo ou expressão tinha sido escrita. É claro que o mais fácil teria sido perguntar-lhe. Mas não quis dar parte de fraco.

Hoje, por acaso feliz do rato, que clicou onde não era suposto, descobri como ele faz o truque. E descobri que me visitaram, entre outras razões, por causa do Fernando Farinha. Pensei então para com os meus botões: Se é para me visitarem sem querer, ao menos que o façam por boas razões. Por outro lado, e isto é uma dica para os publicitários do BCP e o site dos gajos, apercebi-me que quanto mais palavras chave aqui escrevesse mais visitas teria. A ver vamos se tenho razão. O contador está em 1670 e hoje é 17.02.04. Começou em 1111 em 23.11.03. Ou seja, 559 page views em 147 dias. Uma média imbecil de 3,8 page views /dia. Aposto que isto vai disparar, eheheh....

sábado, janeiro 31, 2004

Discos Pedidos


Nós, os portugueses, somos lixados. Não podemos ver uma coisa de borla que não desatemos logo aos empurrões, a ver se chegamos primeiro. Não interessa se o objecto ofertado é desinteressante, inútil e desprovido de valor. O valor é secundário. A utilidade não é importante. É grátis, logo, é imperativo ter.

Nas feiras, fazemos questão de juntar sacos de plástico, esferográficas e demais parafernália de brindes obtusos e coloridos. Nos comícios é uma correria aos autocolantes, prospectos, bandeirinhas e apertos de mão. São de borla e se são de borla, queremos.

Mas, concedo, não vem mal ao mundo por isso. Querer o que nos é dado, o que nos é posto voluntária e abnegadamente à disposição, não é crime. Até aqui, tudo bem.

O pior, e o que de facto condeno, é quando julgamos passar a ter direito a exigir coisas do ofertante. Está a dar esferográficas? Também quero. Mas duas. Preciso de duas. Tem de me dar duas.

Este desabafo, vem a propósito de um mail que recebi. Um mail a pedir para eu escrever mais. Qualquer coisa. Mas Mais.

Pois é Rui. Aprecio ter-te como leitor. Quiçá, o mais augusto dos meus incautos leitores. Decididamente o mais persistente. Provavelmente o único suficientemente temerário para aqui voltar. Reconheço que não me tem apetecido escrever. Reconheço também que, por um post por mês, talvez nem se justifique este espaço. Compreendo até o teu desespero, e o conforto que era chegares aqui e teres o que ler, e ainda por cima sem pagar. Mas, não me leves a mal, não estamos no programa de discos pedidos da Rádio Renascença....

Ps : Agradeço-te contudo o mote para o post.



quarta-feira, janeiro 14, 2004

Archie Bunker


Sempre pensei que certos hábitos ou modos de proceder fossem universais, como que inatos ao homem. Inquestionáveis na sua essência e aparência. Como se fizessem parte da ordem do mundo, e a ordem do mundo deles dependesse. Indiferente a geografias, raças, credos e sexo. Indiferente a tudo o que é exterior. Imutável em si, imune à circunstância. Substância, pura substância e nada mais que substância.

Pensava eu e o Archie. Pensávamos. Hoje o « meat head » , quebrou-nos o status quo. Fez tábua rasa de toda uma tradição comportamental gravada a fogo no ácido nucleico, que conserva o nosso código genético.

A sublime lógica e sequência cósmica, meia – meia, sapato – sapato, foi hoje quebrada. É verdade. Parece não poder ser, mas é . O Michael, descobrimos, rege-se pelo caótico e inverosímil, meia – sapato, meia – sapato.

Como pode alguém ser tão insensível ao ponto de guarnecer de sapato um pé já provido de meia, enquanto o outro pé assiste impotente a tudo, deixado criminosamente nu ?

E casou ele a filha com um gajo destes...

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